Ilmo. Senhor Augusto Nardes,
DD Ministro do Tribunal de Contas da União
Esta carta começa com um agradecimento. Obrigado por me fazer corrigir uma lacuna em minha vida besta de cidadão alienado. Descobri o TCU por sua causa, Ministro! Entendi que, por exemplo, apesar de se chamar "Tribunal", o TCU não pertence ao poder judiciário. Trata-se de uma casa consultora do Legislativo - ainda que não pertença ao Congresso. De maneira que os senhores aí não são juízes. Então não julgam, certo? Aprovam ou desaprovam as contas do Executivo e daí mandam para o Congresso para que este faça o que manda a lei, cumprindo, aí sim, os ritos legais. A coisa fica mais fácil de entender quando a gente se dá conta que o TCU é presidido por um veterinário.
Mas Senhor Ministro, me explique: por que a preocupação com o direito de defesa? A este direito faz jus um réu. E, como já concordamos, o senhor não é um juiz. Por que, então, a preocupação com um rito processual, com as formalidades de um inquérito, se isso que é feito no TCU é apenas e tão somente uma análise de contas? A resposta estaria no fato de que a reprovação das contas se daria por motivos indefensáveis? Será porque a condenação, dada não pelos senhores mas pelo Congresso, deveria, em cabendo, ser o impeachment da presidente? Em que lugar, por gentileza Ministro Nardes, está escrito que cabe neste momento o direito de defesa?
Permita-me lembrá-lo que a Constituição dá ao TCU a incumbência de analisar as contas do Executivo num prazo de 60 dias. O relatório demorou 70 dias para sair. Só isso já merecia uma ação direta de inconstitucionalidade, o senhor não concorda? (estou sendo cínico, mas desde o julgamento do mensalão nos acostumamos a argumentos para lá de cínicos). Sem contar que, para relevar essas pedaladas fiscais, Rodrigo Janot, o Procurador Geral da República, já deu uma pedalada jurídica. Ele disse que a condenação à Dilma não cabe, pois essas condenações só podem ser dirigidas a governantes no exercício do cargo. Ele confundiu "cargo" com "mandato", Ministro? Ou foi cínico também?
Mas o fato é que apesar de Janot e dos 70 dias, apesar de terem sido realizadas 17, repito 17 oitivas de membros do governo antes do relatório reprovador ser elaborado pelo Ministro Julio Marcelo, o senhor resolveu se esquecer da Constituição e dar mais 30 dias para uma defesa que deveria ser feita no Congresso. Mas pra que arriscar, não é mesmo? Na sua explanação, o senhor se exaltou, falou grosso - que bonito! - mas não entrou no mérito de nenhuma das 13 (esse número te diz alguma coisa?) irregularidades nas contas apontadas pelo relator.
Em democracias, Ministro, o povo não fica com medo quando político fala grosso. É o contrário, meu caro. De todo modo, mais uma vez obrigado pela chance de te conhecer. Fico te devendo. Posso perguntar uma última coisa? E o PT? Ficou te devendo quanto?
"Um dos tristes sinais de nossa época é que demonizamos aqueles que produzem, subsidiamos os que se recusam a produzir e canonizamos os que reclamam." Thomas Sowell
quarta-feira, 17 de junho de 2015
quarta-feira, 11 de março de 2015
Nada nos deterá
“Cada um com suas armas. As nossas são estas: esclarecer o
pensamento e por ordem nas coisas.”
Antonio Candido
Nada nos deterá...
Nem o desesperado discurso
que nos toma como ricos com ódio de um partido que deu atenção aos pobres.
Ricos não odeiam o PT. O Silvio Santos não odeia o PT. O dono da Friboi não
odeia o PT. Os banqueiros não odeiam o PT. O dono da fabriqueta de borrachas
para porta de geladeiras não odeia o PT. O dono do mercadinho de verduras, a
manicure dona do salão, patrões enfim de todos os tamanhos não tem, melhor
dizendo, até agora não tinham, porque odiar o PT.
A turma que paga um monte
de imposto não odeia o PT porque o PT faz com que este imposto possibilite mais
renda para os pobres. A turma que paga muito imposto sabe que só 2% do trilhão de reais
arrecadado de imposto vai para projetos sociais. Ninguém odeia o PT por isso,
mas sim porque sabe que o muito imposto que paga vai também para sustentar mais
de 11 mil funcionários públicos não-concursados - estes sim, aspones ricos que
adoram o PT.
Não queremos que Dilma
saia porque os aeroportos estão cheios de gente que nunca viajou de avião. Queremos
que Dilma saia porque os aeroportos estão um caos por sua leniência
administrativa.
Nada nos deterá...
Nem o argumento que o
impeachment fere a constituição, é golpe, ou mimetiza um terceiro turno. A lei
1079/50 versa sobre o impeachment, e nela é clara a possibilidade de qualquer
cidadão protocolar na Câmara dos Deputados um pedido de impedimento ao
Presidente da República. O pedido para o impeachment de Collor foi feito por
Barbosa Lima Sobrinho, que era presidente da Associação Brasileira de Imprensa
- ABI. Aliás foi na sede da ABI que Lula conclamou seu exército de fascistas do
MST para nos intimidar.
Não queremos que Dilma
saia para que os movimentos sociais organizados sejam debelados. Queremos que
Dilma saia para mostrar que ABI, UNE, CUT e afins são apenas braços armados a
serviço de um projeto de estado totalitário.
Queremos que Dilma saia
para mostrar que o maior e mais legítimo dos movimentos sociais somos nós que
fazemos.
Nada nos deterá...
Nem o fato de não ter se
provado nenhuma denúncia de corrupção contra a Presidente Dilma. Queremos que
ela saia por ter cometido crime de responsabilidade. Ela mesma o confessou ao
dizer que assinou sem ler o contrato de compra da refinaria de Pasadena,
gerando um prejuízo na ordem do bilhão. O artigo 86 da Constituição é claro em
definir a possibilidade de afastamento do Presidente em se provando este tipo
de crime – e já temos pareceres jurídicos para tanto.
Queremos que Dilma saia
por ter condenado o país à recessão ao abandonar, em nome de uma ideologia que a história jogou no lixo, o tripé câmbio flutuante + metas de inflação +
responsabilidade fiscal – sendo esta última enterrada em vergonhosa votação no
congresso, onde se divulgou inclusive o preço de cada parlamentar.
Não queremos que Dilma saia
por ter roubado dinheiro. Queremos que Dilma saia por nos ter roubado a
esperança.
Nada nos deterá...
Nem a possibilidade de ter
Michel Temer como presidente. Não temos um Itamar Franco, mas temos ainda
Armínio Fraga, André Lara Rezende, José Serra, Gustavo Franco, Pérsio Arida.
Temos até Joaquim Levy, que poderia voltar a ser o secretário de Políticas
Econômicas do Ministério da Fazenda, cargo que ocupou no mandato de FHC e mais
condizente com seu perfil.
Temer, por instinto de
sobrevivência, saberá da necessidade de se montar um governo de “concertação”.
Itamar tentou isso, inclusive convidando Luíza Erundina para o ministério. Ela
aceitou e por isso foi expulsa pelo PT, um partido que sempre pensa no Brasil
antes de tudo.
Não queremos que Dilma saia
apenas para trocarmos de presidente.
Queremos que Dilma saia
para trocarmos de ministério, para trocarmos a gestão das Estatais e das
Agências Reguladoras.
Nada nos deterá...
Nem a grande mídia, na sua parte vendida, que considerou os Black Blocs inicialmente como uma minoria de
vândalos que não faziam parte das manifestações, e depois justificou sua forma
de protesto como uma alternativa estética. Esta mesma mídia vai fotografar a
meia dúzia de imbecis que querem a volta da ditadura e vai dizer que foram a
tônica do protesto. A gente não vai aparecer no Fantástico domingo – tanto faz,
a gente já não assiste ao Fantástico.
Não queremos que Dilma
saia por conta da imprensa aparelhada.
Queremos que Dilma saia
para garantir que esta imprensa vendida, suja, golpista e irresponsável
continue uma imprensa Livre.
Nada nos deterá
Nem a trabalheira que será
acompanhar o julgamento do Petrolão, depois o da lambança na Eletrobrás,
depois o da máfia do BNDES e por aí vai. Churchill disse que o preço da
liberdade é a eterna vigilância.
Vigiaremos.
E que saibam disso todos
aqueles que vilipendiarem o patrimônio deste país que queremos de uma vez por
todas fazer grande. Que temam sempre o ronco das ruas, que entendam que os
“descamisados”, os “pés-descalços”, os “desassistidos” têm cada vez mais a
consciência dos “coxinhas”. Que parem de tentar dividir o povo em castas. Somos
todos brasileiros.
Não queremos que Dilma
saia para depois fazer um carnaval. Queremos que Dilma saia para que depois
façamos uma Nação.
Até domingo!!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Três Porquinhos e o Leopardo
Ao ver os três indicados para a Equipe Econômica, parece estranho, mas veio um deja vú: por esta época, nas semanas que antecederam sua ascensão ao cargo quatro anos atrás, Dilma sacou da fábula dos Três Porquinhos para se referir aos seus tenentes da transição: Antônio Palocci, José Eduardo Dutra e José Eduardo Cardozo. Seis meses depois só Cardozo ainda se mantinha em combate - ainda que fazendo suas porquices no Ministério da Justiça. Dutra virou um aspone muito bem remunerado na Petrobrás em reconhecimento às porcarias prestadas na primeira campanha de Dilma como presidente do PT. E Palocci... bem, Palocci foi tratar de multiplicar seu patrimônio.
Os tempos atuais são mais bicudos. A candidata que alertou que os tucanos quebraram três vezes o país e que Aécio traria arrocho, juros altos e desemprego ficou na foto das urnas eletrônicas no fim de outubro.
Mas, por outro lado, a candidata que vociferava que daria plena liberdade às investigações na Petrobrás - como se tivesse este poder... também ficou na foto. Em muitos aspectos este governo é uma continuação. Apesar de Kátia Abreu na Agricultura, Gilberto Carvalho irá cuidar das questões indígenas, além de continuar cuidando de ser os olhos de Lula no Planalto. O PMDB continuará com alguns cargos-chave nas estatais. Não há nem sinal de se diminuir o número de cadeiras ocupadas neste ministério sucupirense.
Depois de doze anos de lulopetismo, essa manobra na indicação, principalmente de Joaquim Levy, cheira mais a instinto de sobrevivência que a plano de governo. Dilma jamais os chamará de "porquinhos" ainda que tenha vontade disso no caso de Alexandre Tombini, que continua no Banco Central. O bicho da vez nem é o Lobo, mas quase: trata-se do Leopardo.
Filme basilar na cinematografia, "O Leopardo", de Luchino Visconti, conta a história do príncipe das Duas Sicílias que tenta resistir ao processo de unificação da Itália. Não, eu não direi da famosa epígrafe do filme, a que diz que "as coisas precisam mudar para que continuem na mesma". Mas sim de um diálogo entre o Príncipe e um enviado do novo regime. Ele diz ao Príncipe: "Este estado de coisas não vai durar; a nossa administração, nova, ágil, moderna, mudará tudo”. Ao que o Príncipe responde:“Tudo isso, pensava, não deveria poder durar; mas vai durar, sempre; o sempre humano, é claro, um século, dois séculos…; e depois será diferente, porém pior. Nós fomos os leopardos e os leões; os que vão nos substituir serão pequenos chacais, hienas; e todos, leopardos, chacais e hienas continuaremos a crer que somos o sal da terra”.
Dilma nem o PT seriam tão densos, mas são igualmente movidos por puro orgulho, sede de poder e desprezo por tudo e todos que não comungam de seu credo. Longe deles enxergar qualquer espírito de tempo para além de suas ambições.
Os tempos atuais são mais bicudos. A candidata que alertou que os tucanos quebraram três vezes o país e que Aécio traria arrocho, juros altos e desemprego ficou na foto das urnas eletrônicas no fim de outubro.
Mas, por outro lado, a candidata que vociferava que daria plena liberdade às investigações na Petrobrás - como se tivesse este poder... também ficou na foto. Em muitos aspectos este governo é uma continuação. Apesar de Kátia Abreu na Agricultura, Gilberto Carvalho irá cuidar das questões indígenas, além de continuar cuidando de ser os olhos de Lula no Planalto. O PMDB continuará com alguns cargos-chave nas estatais. Não há nem sinal de se diminuir o número de cadeiras ocupadas neste ministério sucupirense.
Depois de doze anos de lulopetismo, essa manobra na indicação, principalmente de Joaquim Levy, cheira mais a instinto de sobrevivência que a plano de governo. Dilma jamais os chamará de "porquinhos" ainda que tenha vontade disso no caso de Alexandre Tombini, que continua no Banco Central. O bicho da vez nem é o Lobo, mas quase: trata-se do Leopardo.
Filme basilar na cinematografia, "O Leopardo", de Luchino Visconti, conta a história do príncipe das Duas Sicílias que tenta resistir ao processo de unificação da Itália. Não, eu não direi da famosa epígrafe do filme, a que diz que "as coisas precisam mudar para que continuem na mesma". Mas sim de um diálogo entre o Príncipe e um enviado do novo regime. Ele diz ao Príncipe: "Este estado de coisas não vai durar; a nossa administração, nova, ágil, moderna, mudará tudo”. Ao que o Príncipe responde:“Tudo isso, pensava, não deveria poder durar; mas vai durar, sempre; o sempre humano, é claro, um século, dois séculos…; e depois será diferente, porém pior. Nós fomos os leopardos e os leões; os que vão nos substituir serão pequenos chacais, hienas; e todos, leopardos, chacais e hienas continuaremos a crer que somos o sal da terra”.
Dilma nem o PT seriam tão densos, mas são igualmente movidos por puro orgulho, sede de poder e desprezo por tudo e todos que não comungam de seu credo. Longe deles enxergar qualquer espírito de tempo para além de suas ambições.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Eu preciso de um Estado
Podemos começar com um dos tópicos do "Manifesto Comunista", do Marx:
“A luta do proletariado contra a burguesia embora não seja na essência uma luta nacional, reveste-se contudo dessa forma nos primeiros tempos. E natural que o proletariado de cada pais deva, antes de tudo, liquidar sua própria burguesia.”
Beleza. Temos um modelo que para dar certo necessita da destruição de uma classe social. Pelo termo "burguês" entende-se que se trata de um vendedor de mercadorias - os "burgos" eram grandes feiras para onde afluíam grande quantidade de gente. Aqueles que lá já estavam montando suas barracas eram os burgueses, a rigor uns feirantes. Tá bom que Marx tivesse dado uma acochambrada no termo, esticando-o para definir os donos dos meios de produção.
De maneira que "burguês" definiria tanto o seu Hiroshi, dono da barraca de pastel que emprega uma meia dúzia de gente, como o Bill Gates. A rigor, qualquer um que ousasse possuir alguma coisa seria um burguês. Se o sujeito tem uma casa, ele é um burguês. Se ele tem um carro, por suposto, é um burguês. Mas se ele quiser ter uma moto para fazer trilha no fim-de-semana, ele é mais burguês ainda, e pode ser que segundo o julgamento "vermelho" mereça mais ainda a morte.
Eu sou médico. Eu não fabrico produtos, nem sou comerciante. Então não devo ser burguês, né?
Por outro lado, o conceito de "mais-valia" valesse, não se aplicaria a mim, pois minha força de trabalho é empregada na promoção da saúde, e vivem dizendo por aí que a saúde das pessoas não tem preço. De maneira que pelo menos conceitualmente, minha força de trabalho não é explorada por ninguém. Então, salvo engano, eu julgo que não sou um proletário.
Mais que isso, olhem só que mimo este conceito, também no citado "Manifesto":
“Mas, o trabalho do proletário, o trabalho assalariado cria propriedade para o proletário? De nenhum modo.”
Então...
Eu sou assalariado. Tenho três empregos regidos pela CLT. Eu tenho - se me permitem - condições de ter propriedades. Uma bicicleta é uma propriedade. Um livro do Olavo de Carvalho é uma propriedade. Um IPhone é uma propriedade. Uma garrafa de Jack Daniel´s é uma propriedade. É bem bacana ter propriedades.
Deve ser mais bacana ainda ter fazendas de gado, aviões, Land Rovers e umas empresas. Perguntem ao filho do Lula como deve ser bom ter tudo isso.
Já passando dos quarenta, entendi que não deixarei herança para meus filhos. Para eles darei condições de uma formação universitária, cultural, moral e religiosa sólidas. É também para isso que trabalho. Para o Estado, eu deixo uma parte muito, mas muito substancial de meus rendimentos na forma de impostos retidos na fonte. Isso não me causa espécie desde que o Estado retorne para a sociedade o que me tomou em dinheiro. Fico bem feliz também ao considerar como minha propriedade um celular da hora, um livro novinho, um bourbon, esse laptop onde escrevo e uma ação de clube. Por que diacho eu tenho que ter vergonha de gostar disso?
Percebam que no parágrafo acima me defini como alguém que vai manter a classe social dos filhos os preparando para o mercado de trabalho através da educação; alguém que tem grande parte dos seus ganhos alijada aos impostos (não à mais-valia) e alguém que almeja ter como propriedades prioritariamente bens de consumo, e não bens de produção. Pois bem, antigamente se definia um sujeito assim como integrante da, ai ai, "Classe Média". É bem legal, me perdoem, ser da Classe Média.
Agora deixem-me citar essa passagem aqui, juro que será a última:
"Dinheiro como dádiva e dinheiro como empréstimo, era com perspectivas como essas que esperava atrair as massas. Donativos e empréstimos - resume-se nisso a ciência financeira do lúmpen proletariado (ou "lumpezinato"), tanto de alto como de baixo nível. Essas eram as únicas alavancas que o governante sabia movimentar. Nunca um pretendente especulou mais vulgarmente com a vulgaridade das massas."
Parece que estão falando do Bolsa Família? Parece que é um reaça falando do Lula? Não, é apenas Karl Marx falando de Luís Bonaparte, que restaurou a monarquia na França em... 1852! (no livro "18 Brumário")
Ocorre que a Esquerda descobriu a tempo que um dos (muitos) erros de Marx foi dizer que o trabalho do proletariado não cria propriedade. Cria SIM! E se o proletário tem propriedades e trabalha pra isso, pode ser que ele qualquer dia desses vire alguém de... Classe Média!!!
E quem sobra para ter os votos controlados? Os trabalhadores de sub-empregos, deseducados ao extremo, sem perspectivas, sem ideologia, que apenas sobrevivem, ou seja o lumpezinato.
Até algumas correntes trotskistas apontam para esta "brumarização" dos governos de esquerda, que por um lado exaltam que colocaram o proletariado na classe média, mas por outro demoniza esta mesma classe para justificar a manutenção do lumpezinato sob rédea curta, sob esmolas, sob controle, repetindo a política de Bonaparte execrada por... Karl Marx.
Eu preciso de um Estado que, para início de conversa não me odeie. Um Estado regulador dos serviços essenciais. Um Estado que possibilite que todos tenham propriedades. Um Estado que entenda que não é dono de nada e sim que tem legitimidade para gerir porque foi eleito pelos donos. Eu preciso de um Estado governado por gente decente, que tenha como sonho fazer o bem comum.
O PT já me mostrou que nunca fará este Estado.
Por isso eu voto Aécio 45.
“A luta do proletariado contra a burguesia embora não seja na essência uma luta nacional, reveste-se contudo dessa forma nos primeiros tempos. E natural que o proletariado de cada pais deva, antes de tudo, liquidar sua própria burguesia.”
Beleza. Temos um modelo que para dar certo necessita da destruição de uma classe social. Pelo termo "burguês" entende-se que se trata de um vendedor de mercadorias - os "burgos" eram grandes feiras para onde afluíam grande quantidade de gente. Aqueles que lá já estavam montando suas barracas eram os burgueses, a rigor uns feirantes. Tá bom que Marx tivesse dado uma acochambrada no termo, esticando-o para definir os donos dos meios de produção.
De maneira que "burguês" definiria tanto o seu Hiroshi, dono da barraca de pastel que emprega uma meia dúzia de gente, como o Bill Gates. A rigor, qualquer um que ousasse possuir alguma coisa seria um burguês. Se o sujeito tem uma casa, ele é um burguês. Se ele tem um carro, por suposto, é um burguês. Mas se ele quiser ter uma moto para fazer trilha no fim-de-semana, ele é mais burguês ainda, e pode ser que segundo o julgamento "vermelho" mereça mais ainda a morte.
Eu sou médico. Eu não fabrico produtos, nem sou comerciante. Então não devo ser burguês, né?
Por outro lado, o conceito de "mais-valia" valesse, não se aplicaria a mim, pois minha força de trabalho é empregada na promoção da saúde, e vivem dizendo por aí que a saúde das pessoas não tem preço. De maneira que pelo menos conceitualmente, minha força de trabalho não é explorada por ninguém. Então, salvo engano, eu julgo que não sou um proletário.
Mais que isso, olhem só que mimo este conceito, também no citado "Manifesto":
“Mas, o trabalho do proletário, o trabalho assalariado cria propriedade para o proletário? De nenhum modo.”
Então...
Eu sou assalariado. Tenho três empregos regidos pela CLT. Eu tenho - se me permitem - condições de ter propriedades. Uma bicicleta é uma propriedade. Um livro do Olavo de Carvalho é uma propriedade. Um IPhone é uma propriedade. Uma garrafa de Jack Daniel´s é uma propriedade. É bem bacana ter propriedades.
Deve ser mais bacana ainda ter fazendas de gado, aviões, Land Rovers e umas empresas. Perguntem ao filho do Lula como deve ser bom ter tudo isso.
Já passando dos quarenta, entendi que não deixarei herança para meus filhos. Para eles darei condições de uma formação universitária, cultural, moral e religiosa sólidas. É também para isso que trabalho. Para o Estado, eu deixo uma parte muito, mas muito substancial de meus rendimentos na forma de impostos retidos na fonte. Isso não me causa espécie desde que o Estado retorne para a sociedade o que me tomou em dinheiro. Fico bem feliz também ao considerar como minha propriedade um celular da hora, um livro novinho, um bourbon, esse laptop onde escrevo e uma ação de clube. Por que diacho eu tenho que ter vergonha de gostar disso?
Percebam que no parágrafo acima me defini como alguém que vai manter a classe social dos filhos os preparando para o mercado de trabalho através da educação; alguém que tem grande parte dos seus ganhos alijada aos impostos (não à mais-valia) e alguém que almeja ter como propriedades prioritariamente bens de consumo, e não bens de produção. Pois bem, antigamente se definia um sujeito assim como integrante da, ai ai, "Classe Média". É bem legal, me perdoem, ser da Classe Média.
Agora deixem-me citar essa passagem aqui, juro que será a última:
"Dinheiro como dádiva e dinheiro como empréstimo, era com perspectivas como essas que esperava atrair as massas. Donativos e empréstimos - resume-se nisso a ciência financeira do lúmpen proletariado (ou "lumpezinato"), tanto de alto como de baixo nível. Essas eram as únicas alavancas que o governante sabia movimentar. Nunca um pretendente especulou mais vulgarmente com a vulgaridade das massas."
Parece que estão falando do Bolsa Família? Parece que é um reaça falando do Lula? Não, é apenas Karl Marx falando de Luís Bonaparte, que restaurou a monarquia na França em... 1852! (no livro "18 Brumário")
Ocorre que a Esquerda descobriu a tempo que um dos (muitos) erros de Marx foi dizer que o trabalho do proletariado não cria propriedade. Cria SIM! E se o proletário tem propriedades e trabalha pra isso, pode ser que ele qualquer dia desses vire alguém de... Classe Média!!!
E quem sobra para ter os votos controlados? Os trabalhadores de sub-empregos, deseducados ao extremo, sem perspectivas, sem ideologia, que apenas sobrevivem, ou seja o lumpezinato.
Até algumas correntes trotskistas apontam para esta "brumarização" dos governos de esquerda, que por um lado exaltam que colocaram o proletariado na classe média, mas por outro demoniza esta mesma classe para justificar a manutenção do lumpezinato sob rédea curta, sob esmolas, sob controle, repetindo a política de Bonaparte execrada por... Karl Marx.
Eu preciso de um Estado que, para início de conversa não me odeie. Um Estado regulador dos serviços essenciais. Um Estado que possibilite que todos tenham propriedades. Um Estado que entenda que não é dono de nada e sim que tem legitimidade para gerir porque foi eleito pelos donos. Eu preciso de um Estado governado por gente decente, que tenha como sonho fazer o bem comum.
O PT já me mostrou que nunca fará este Estado.
Por isso eu voto Aécio 45.
sábado, 4 de outubro de 2014
O pirão nosso de cada dia
Eu estava num casamento que ocorria na igreja de São Judas,
aquela perto da estação do metrô do mesmo nome em São Paulo. Trata-se de um
templo respeitável, erguido seguindo o apelo popularíssimo do “santo das causas
impossíveis”, cujas festas são muito concorridas. No aguardo da noiva, eis que
ouço alguém comentar no banco de trás: “Puxa, o cara traiu Jesus e ainda merece
uma Igreja dessa.” Meus impulsos de católico papa-hóstia, carola, reacionário,
moralista se afloraram, mas me contive.
Pelamordedeus... não, herege, o cara que traiu Jesus só
mereceu a forca pelas próprias mãos. Esse “Judas” que fez jus a toda aquela
reverência era outro, chamado “Judas Tadeu”, diferenciando-se do “Judas
Iscariotes” que vendeu Cristo por trinta dinheiros. Ao que parece os nomes eram
meio raros naquele tempo. Na turma de Apóstolos de Jesus tínhamos dois chamados
“Simão” – e neste caso em específico Jesus nos deu uma mão, chamando um deles
de “Pedro”; dois com o nome de “Tiago” – curiosamente diferenciados pelas
alcunhas de “Tiago Maior e Tiago Menor” (nunca entendi isso...) e finalmente os
dois “Judas” – o Tadeu e o Iscariotes.
Enfim, a noiva entrou, foi uma bela cerimônia, etc e tal,
mas eu nunca vi o rosto do sujeito que constatou o merecimento do traidor de
Jesus. Ele, bem se diga, não estava revoltado com tal injustiça. O tom de seu
comentário foi de constatação mesmo.
Vendo as denúncias de corrupção cada vez mais cabeludas nos
jornais e vendo os resultados das pesquisas que apontam para mais um mandato de
Dilma Roussef, lembrei-me da Copa do Mundo, e automaticamente do 7x1 e daí por
extensão fui levado a Helmut Kohl.
Helmut Kohl foi primeiro-ministro da Alemanha, ainda da
parte Ocidental, e que promoveu a reunificação das Alemanhas no fim da década
de 80. Ele viu o muro de Berlim cair e conduziu o país a uma reunificação que
parecia impossível. Foi um dos grandes homens do século 20.
Pois bem. Comprovou-se que o partido de Helmut Kohl recebera
algo em torno de 600 mil dólares em doações ilegais para campanha eleitoral.
Não se comprovou que Kohl soubesse destas doações. Não se comprovou que Kohl
tenha se beneficiado pessoalmente deste dinheiro. Mas, ainda assim, por ser
líder do partido envolvido no escândalo, derrubou-se o arquiteto da queda do
Muro de Berlim sem dó nem piedade. O condutor de um dos fatos históricos mais
relevantes da história do Mundo hoje não se elege nem para vereador na
Alemanha.
É óbvio que isso não tem nada a
ver com o 7x1. Mas é óbvio que tem.
Dilma Roussef vai ganhar nas urnas,
de forma legítima, mais um mandato de presidente. Isso tem muito a ver com o
fato de minha empregada ter sido inclusa no Bolsa Família, mesmo sendo
registrada, recebendo cesta básica e vale-transporte. Ela chegou em casa
ensinando minha esposa a conseguir tal benefício. Minha esposa tentou dizer que
não teria direito pois trabalhava, assim como a nossa empregada, em um emprego
registrado. Teve que ouvir que o dono do mercadinho da rua também iria receber
o Bolsa Família, e que seria bom que ela se apressasse, pois podia ser que
Dilma perdesse a eleição e “aquele viciado” cortasse o programa.
É só juntar as falas. Somos um
povo que acha normal um apóstolo trair Jesus e merecer uma Igreja imensa. Devem
achar que se pode trair um país e merecer o Palácio do Planalto. Somos um povo
que acha que se pode sugar de uma empresa como a Petrobras que já esteve entre
as maiores do mundo, até ao ponto de quebrá-la. E tudo isso pode, pois a
corrupção existe desde que Adão comeu a maçã.
Um operário chegar à presidência
derrubando preconceitos, numa realmente bela história de vida, tem
salvo-conduto para arrotar contra as instituições republicanas.
Mas nós não demos essa liberdade
apenas a Lula, nem a Dilma, nem ao PT. Essa libertinagem nós permitimos antes
de tudo a nós mesmos. Somos o povo do “farinha pouca (ou muita), meu pirão
primeiro”. Os alemães se envergonham daquele outrora considerado um estadista.
Mas é porque se envergonhariam de si mesmos se tivessem sido pegos em igual
delito. Os alemães se orgulham de sua seleção. Nós temos vergonha da nossa. Os
alemães se orgulham de seu país. Nós não estamos nem aí pro nosso.
Até 2018...
segunda-feira, 2 de junho de 2014
O Fenômeno e o General Romano
Sinceramente nem vem ao caso as motivações políticas de Ronaldo. Basta que tenha razão. Como discordar dele? As obras para a Copa estão prontas? Foram feitas com dinheiro privado, conforme Lula nos assegurou? Ele irá nadando para a África, conforme nos prometeu, caso a Copa fosse um malogro? Aliás, onde se alugam jumentos para que os torcedores possam chegar aos locais dos jogos? Ficaremos orgulhosos ou envergonhados com este evento?
Ao que parece, Ronaldo apenas deixou de fingir que não enxergava. Foi premido pelo ronco das ruas. Melhor dizendo, pelo silêncio das ruas quando o assunto é empolgação com a Copa. A pátria não parece mais ser a de chuteiras. Calça as sandálias da sensatez, na qual chegou por puro desalento - mas este não é quase sempre o caminho para a sensatez?
Na empolgação do mandato que superava a crise do Mensalão, o lulopetismo acenava com o "legado" da Copa, na forma de melhorias de infraestrutura urbana, sem contar o lucro de vários setores. Já se tem como certo que quanto ao setor de turismo, só vai ter lucro o receptivo. A indústria já prevê prejuízo e os serviços não ganharão como esperavam. A infraestrutura... bem, é "babaquice", como candidamente nos lembrou Lula.
Uma das acepções da palavra "legado" vem da Roma antiga: referia-se a um posto militar de alta patente, equivalente a um general que na época comandava uma legião (legatus legionis). Certamente é uma previsão otimista, mas esta Copa talvez nos deixe este tipo de "legado". Pode ser que os brasileiros estejam colocando um torneio de futebol em seu devido lugar, sem que os grandes problemas e questões na nação fiquem em suspenso até que a bola pare.
Espaço para anarquia vai sempre haver, mesmo que travestida de civilidade. Mas para isso temos a polícia, com legitimidade para garantir a todos, TODOS, os brasileiros seus direitos. Tanto o de se manifestar, quanto o de não se manifestar. Sem falar nos constitucionais direito à propriedade e o de ir e vir. Ainda que para isso tenha que lançar mão da firmeza e até, vá lá, da violência, mostrando a força das nossas instituições.
Mas de um jeito ou de outro uma parte substancial da população que não se deixa levar pelo ufanismo e patriotada aproveita agora os holofotes do mundo para selar sua insatisfação. Pode ser que os petistas, que tiram proveito político até dos velórios de suas mães, apontem tal efeito como uma "prova do aumento da consciência crítica das massas" e estaria assim chancelada a "política para a educação" do PT.
Se tal postura crítica representar o legado, ou seja, o norte, o "general" de nossas ações enquanto cidadãos, é possível afirmar que a Copa valeu. Anda bem.
Até porque, mesmo depois de nos livrarmos da caixirola - aquele chocalho de capoeira que Carlinhos Brown tentou nos empurrar, outro legado sempre dirá muito destes tempos atuais: os nomes dos elefantes brancos erguidos em desertos futebolísticos, que de tão vexaminosos nem mereceram as tradicionais alcunhas. A eles não foi conferida a honra nem do clássico "Estádio", tampouco do brasileiríssimo "Campo". Sobrou-lhes o pretensioso e circense "Arena".
Ao que parece, Ronaldo apenas deixou de fingir que não enxergava. Foi premido pelo ronco das ruas. Melhor dizendo, pelo silêncio das ruas quando o assunto é empolgação com a Copa. A pátria não parece mais ser a de chuteiras. Calça as sandálias da sensatez, na qual chegou por puro desalento - mas este não é quase sempre o caminho para a sensatez?
Na empolgação do mandato que superava a crise do Mensalão, o lulopetismo acenava com o "legado" da Copa, na forma de melhorias de infraestrutura urbana, sem contar o lucro de vários setores. Já se tem como certo que quanto ao setor de turismo, só vai ter lucro o receptivo. A indústria já prevê prejuízo e os serviços não ganharão como esperavam. A infraestrutura... bem, é "babaquice", como candidamente nos lembrou Lula.
Uma das acepções da palavra "legado" vem da Roma antiga: referia-se a um posto militar de alta patente, equivalente a um general que na época comandava uma legião (legatus legionis). Certamente é uma previsão otimista, mas esta Copa talvez nos deixe este tipo de "legado". Pode ser que os brasileiros estejam colocando um torneio de futebol em seu devido lugar, sem que os grandes problemas e questões na nação fiquem em suspenso até que a bola pare.
Espaço para anarquia vai sempre haver, mesmo que travestida de civilidade. Mas para isso temos a polícia, com legitimidade para garantir a todos, TODOS, os brasileiros seus direitos. Tanto o de se manifestar, quanto o de não se manifestar. Sem falar nos constitucionais direito à propriedade e o de ir e vir. Ainda que para isso tenha que lançar mão da firmeza e até, vá lá, da violência, mostrando a força das nossas instituições.
Mas de um jeito ou de outro uma parte substancial da população que não se deixa levar pelo ufanismo e patriotada aproveita agora os holofotes do mundo para selar sua insatisfação. Pode ser que os petistas, que tiram proveito político até dos velórios de suas mães, apontem tal efeito como uma "prova do aumento da consciência crítica das massas" e estaria assim chancelada a "política para a educação" do PT.
Se tal postura crítica representar o legado, ou seja, o norte, o "general" de nossas ações enquanto cidadãos, é possível afirmar que a Copa valeu. Anda bem.
Até porque, mesmo depois de nos livrarmos da caixirola - aquele chocalho de capoeira que Carlinhos Brown tentou nos empurrar, outro legado sempre dirá muito destes tempos atuais: os nomes dos elefantes brancos erguidos em desertos futebolísticos, que de tão vexaminosos nem mereceram as tradicionais alcunhas. A eles não foi conferida a honra nem do clássico "Estádio", tampouco do brasileiríssimo "Campo". Sobrou-lhes o pretensioso e circense "Arena".
Bendito calor
"Assim,
porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca".
Apocalipse
3:16
Várias lições nos deu o ministro Joaquim Barbosa, que se aposentou do Supremo Tribunal Federal. A História vai registrar um tempo em que figurões da República foram presos por corrupção, a partir de um julgamento conduzido estritamente dentro dos ritos legais. Uma tarefa imensa que se incumbiu a Suprema Corte de uma democracia imatura. Pode ser que o país ainda não tenha se dado conta da dimensão do ocorrido, seja pela crônica falta de educação, seja pela igualmente crônica inépcia institucional que continua nos assolando malgrado o justo enjaulamento de Dirceu e comparsas.
Há um ano várias cidades do país se sacudiam com os protestos de Junho. Nenhum nome colou para designar aquele período, o que nem é surpreendente. As lideranças da época já foram esquecidas, como os tais do Movimento Passe Livre que certamente se encontra adormecido em uma gaveta partidária pronto a ser colocado em prática quando a baderna interessar a mais uma manobra. Já nos esquecemos até do nome daquele moço com lábios bem proeminentes, líder de algum outro "coletivo". Da mesma forma, em breve nos esqueceremos deste menino, filho de um professor titular de medicina da USP, que lidera um bando que se diz sem-teto. Celebridades dignas de um BBB, pretensamente com mais conteúdo porém igualmente prenhes de espuma.
Por todo o país sobrou a grita contra a corrupção, mas pode ser que mesmo o manifestante mais empedernido sequer tenha cogitado escrever "mensaleiros na cadeia" em uma cartolina. O ronco das ruas foi "contra tudo de ruim que está aí desde o Brasil-colônia" e cá pra nós contra os vinte centavos de aumento no transporte público - sem contar a apelação fácil para os hospitais e escolas padrão-Fifa.
O STF, ao contrário do que delirou Celso de Melo em seu voto aceitando os embargos infringentes, não foi diretamente pressionado. A postura de Joaquim Barbosa se anunciou desde que começou a dar indícios do que seria seu relatório, mesmo que tenha sido cobrado do contrário com as inacreditáveis alusões ao dever de gratidão por conta de sua nomeação pelo sinhozinho Lula.
O por hora aposentado Joaquim Barbosa merece ser lembrado pela "ira santa e saúde civil". Por ter se entregue ao extremo calor revolucionário quando até poderia ter se deixado levar pela temperatura morna de um tribunal superior, confundida com temperança.
Sua principal lição foi ter-nos mostrado que revoluções podem ser feitas não derrubando instituições, mas as fortalecendo. Que grandes paradigmas podem ser soterrados com as armas da democracia e do estado de direito. Que faz bem a uma sociedade quando alguém tem a coragem de abalar estruturas seculares registrando de cara limpa suas ações nos autos, e não cobrindo o rosto com uma máscara ninja. Nesta defesa implacável e na denúncia do cinismo regimental de alguns juízes vendidos residiu o calor de sua atuação - noves fora seu temperamento mercurial.
Joaquim Barbosa sai do Supremo com a serenidade que só a força dos justos confere. Não precisa se intitular guerreiro, nem gritar palavras de ordem, tampouco cerrar e erguer os punhos numa desesperada caricatura.
De erguidas bastam suas convicções, sua consciência e sua cabeça.
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